Os Crimes ABC, ou: Meu Primeiro Agatha Christie

Ana,

O primeiro livro do desafio foi cheio de novidadjy: eu nunca tinha lido livro de serial killer, apesar de já ter visto muitos filmes – e Dexter – sobre (e ter achado O Psicopata Americano meio fraco – desculpa, Batman) e achar que o gênero não servia pra literatura (ainda bem que a gente vai deixando de ser juma ao longo da vida, né); eu nunca tinha lido Agatha Christie; e – acho – que nunca tinha lido livro de detetive :-O

Tava na maior dificuldade em escolher um título, pois todos que eu encontrava na internet eram adaptações de roteiros ou tinham virado filme (e eu já tinha visto), e aproveitei a sua dyca pra remendar essa falha de caráter e fazer tudo isso de um jeito só: Agatha + serial killer + detetive + roteiro inédito (pra mim).

Ã-mei. Tinha tempo que eu não lia um livro tão de uma vez só, de sentar e ler várias e várias páginas. Desde o começo a trama já me prendeu e eu não consegui soltar mais o livro (ops, o Kindle). Acho meio complicado falar do enredo sem spoilar tudo, então vou pular essa parte 😀

Os personagens já são conhecidos do universo agathiano (fiz o dever de casa e pesquisei), mas não atrapalha em nada pra quem, como eu, nunca tinha lido nada dela.

Se eu vou ler mais AC? Sim, claro 😀

Se eu vou ler mais livros sobre serial killers? O Psicopata Americano, que dizem ser – pra variar – bem melhor que o filme, já está no Kindle \o/

E já tou na maior empolgação pro próximo desafio! 😀

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Agatha Christie – And then there were none

Anna,

O que é um bom livro de serial killer, tema do nosso desafio de julho? Além do óbvio (várias pessoas morrem), claro?

Para mim, um bom livro de serial killer te deixa intrigada até o último capítulo. Um bom livro de serial killer traz mortes convincentes e engenhosas.  Se a identidade do assassino não for explícita, melhor ainda.

Mas, fundamentalmente, um bom livro de serial killer te vicia. Daquele jeito que só leitores ávidos entendem… “não, não dá pra ir ali agora, preciso terminar este capítulo”. Por capítulo, claro, entenda livro. Se o livro de suspense for realmente bom, não dá pra interromper a leitura.

“And then there were none” é um ótimo livro. A história é simples. Oito pessoas são convidadas (separadamente) para a Indian Island, uma ilha privada que pertenceu a um excêntrico americano e que foi comprada por uma pessoa desconhecida. Ao chegar à ilha, os oito convidados descobrem que seus anfitriões não estão presentes. Há apenas um casal de caseiros – reescrevi esta frase algumas vezes, acometida pela síndrome do pleonasmo imaginário.

A trama do livro é baseada na rima infantil “Ten Little Indian Boys”, que bizarramente aparece bordada em todos os quartos de hóspedes. O trecho copiado abaixo é do livro – as versões disponíveis na Wikipedia são um pouquinho diferentes

Ten little Indian boys went out to dine;

one choked his little self and then there were nine.

Nine little Indian boys sat up very late;

one overslept himself and then there were eight.

Eight little Indian boys traveling in Devon;

one said he’d stay there and then there were seven.

Seven little Indian boys chopping up sticks;

one chopped himself in halves and then there were six.

Six little Indian boys playing with a hive;

a bumblebee stung one and then there were five.

Five little Indian boys going in for law;

one got in Chancery and then there were four.

Four little Indian boys going out to sea;

a red herring swallowed one and then there were three.

Three little Indian boys walking in the Zoo;

a big bear hugged one and then there were two.

Two little Indian boys sitting in the sun;

one got frizzled up and then there was one.

One little Indian boy left all alone;

he went and hanged himself and then there were none.

Eu juro que isso não é um spoiler! Quer dizer, informação dada aos 11% do livro (quindou, ai lóvi iú) não é spoiler, é? 😀

O final foi um pouquinho… forçado. Mas eu gostei mesmo assim!