Wil Wheaton – Just a Geek

Anna,

para o primeiro mês do Desafio 13/14, eu estava bem perdida. Não tinha ideia de quem queria ler (e só pensava na do Steve Jobs). Enquanto isso, tentava terminar um livro – que ainda não terminei. Então o email do Humble Bundle (com a autobiografia do WIl Wheaton para quem pagasse acima da média) foi quase um sinal do universo! 😀

Eu não gosto de Star Trek. Tentei, em diversos momentos, ver tanto a série original quanto TNG. Não deu. Eu sei que isso é uma falha na minha educação geek, mas sério, não dá. Oh, well. Mas eu gostava do Wil Wheaton por causa do ótimo blog – e depois Twitter, e  a hilária participação em The Big Bang Theory, quando TBBT ainda fingia ser nerd.

O livro começa da melhor maneira possível: Neil Gaiman (“If you are a true geek, I’m pretty much as cool as Patrick Stewart”) escreve o prólogo, e explica: “In an era of people blogging as pseudo-celebrities, this is the story of a celebrity blogging as a person”.

Se você for uma espécie de não nerd que não sabe quem é o Wil Wheaton, vamos lá: ele foi um ator mirim de grande sucesso, e interpretou Wesley Crusher em Star Trek: The Next Generation por quatro temporadas. E, no meio da angústia/rebeldia adolescente – e depois de uma convenção Trekkie com atores da série original que não fizeram absolutamente nada depois de Star Trek -, Wheaton decidiu largar o mega sucesso para se tornar um “famoso ator de cinema”. Como você nunca ouviu falar de um filme com ele, já sabemos que essa estratégia foi FAIL. O blog existe desde 2001, e trechos do blog ilustram parte da história, que abrange da sua saída de TNG até meados da década passada. Sim, bem antes de TBBT. 😀

When I was in drama school, I passed on several film opportunities, among them, Primal Fear. You may know it as the movie that started Ed Norton’s career. I know it as The Huge Opportunity That I Completely Fucked Up.

Basicamente, o livro conta a luta de Wheaton contra dois fantasmas que habitavam sua mente, Prove To Everyone That Quitting Star Trek Wasn’t A Mistake e a Voice of Self Doubt, enquanto ele batalhava para pagar as contas, indo a vários testes e nunca sendo chamado para nenhum papel.

But the insistent voice of the collectors was nothing compared to the Voice of Self Doubt and my good friend Prove To Everyone That Quitting Star Trek Wasn’t A Mistake. They were the real reason I went on the auditions, which didn’t result in any work, because the part I was “in the mix for” went to someone who was – wait for it – edgy, and the other was already cast when I got there

O livro é também a história de como ele se redescobriu – hoje, Wheaton é um escritor antes de ser um ator. E ele é ótimo!!! O livro é muito bem escrito. A leitura flui, e eu achei impossível desgrudar enquanto não terminei. Claro que parte disso pode muito bem ter sido a ENORME identificação com os fantasmas de Wil – e com a forma como ele lidou com eles -, mas o talento para uma escrita convincente e comovente é inegável.

“The deeper that sorrow carves into your being, the more joy you can contain”

 – Ana

Peter Kuper – Desista! E Outras Histórias de Franz Kafka

Ana,

Ando muito lenta pra ler, e estou há 20 dias num livro de 200 e poucas páginas que não consigo terminar 😦 – e também estou muito sem-vergonha, porque ao invés de ler antes de dormir, como geralmente faço, eu fico assistindo Fringe até cair no sono, o que acho que é o que anda me atrasando as leituras todas.

Daí que sempre que eu não consigo terminar um livro, tenho quebrar um pouco a leitura com algo menor, como conto ou HQ, e ontem peguei o Desista! pra ler. Um colega me emprestou ele voluntariamente há muitos anos e, bem, 😛 tá aqui nas minhas prateleiras (gente, sério. não emprestem livros voluntariamente se a pessoa não for muito próxima ou se você quiser ter o livro de volta algum dia).

São sete contos curtinhos (curtinhos mesmo) do Kafka e dois encurtados (povo malandro) adaptados (não sei se literalmente, teria que ler a versão original pra saber) pros quadrinhos. O traço de Kuper (que desenha o Spy vs. Spy da Mad) combinou bem com a atmosfera meio neurótica/ psicótica/ sei lá do Kafka, é um trabalho digníssimo 🙂 Sem contar que passa longe daquela velha história de “clássico adaptados pros quadrinhos”, que geralmente é uma chatice só.

–Anna

Desafio Literário 2013/ 2014

Como prometido e muito antecipado em vários e-mails de “quais temas para o próximo desafio?”, chegou a hora do desafio 2013/2014! 🙂

Janeiro Livros escritos por mulheres
Fevereiro Livros que nós temos preconceito master
Março Escritores brasileiros do século XX
Abril Futurismo
Maio Livros que lemos na adolescência
Junho Escritores alemães
Julho (Auto)Biografia
Agosto Viagem no tempo
Setembro Escritores portugueses
Outubro Máfia
Novembro Livros citados em filme
Dezembro Escritores franceses

Ana lerá Just a Geek, de Wil Wheaton.

Ana lerá I’m My Own Woman, de Charlotte von Mahlsdorf.

Balanço do Desafio 12/13

Depois de um ano, chegou a hora de fazermos um balanço de como foi o Desafio Literário 2012/2013.

Na verdade, não foi lá muito um desafio: a maior parte dos livros foi muito, muito gratificante de ler (tirando, como esperado, a chick lit). Na verdade, para a Anna, Tom Sawyer foi mais difícil de terminar do que O Diabo veste Prada! E se não fosse o Desafio, a Ana talvez nunca tivesse lido Disgrace, e certamente teria adiado a leitura de Ondjaki por mais um ano, ou dois….

Gostamos muitíssimo do esquema de ter algo pré-determinado pra ler (os temas), o que nos ajudou a diminuir a frequência com que começamos e não terminamos os livros — fila de to-read (mais ou menos) organizada, uhu! Os temas foram muito bem escolhidos (dsclp, sociedd) e com certeza e para todo sempre vamos fazer o Desafio 13/ 14 😀

E sabe que essa história de começar as coisas no meio do ano, e não no início, como é costume, pode ter contribuído para que o desafio desse certo? Menos tensão e mais empolgação 😀

 

 

Alan Moore – V de Vingança

Ana,

eu sempre tive uma certa admiração por anarquistas, e vivo me perguntando porque é que eu leio tão pouco a respeito. A noção de liberdade postulada pelo Anarquismo é uma das ideias mais admiráveis com as quais entrei em contato.

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Li V de Vingança a primeira vez em 2008, depois de ter lido a fase do Monstro do Pântano roteirizada pelo Alan Moore (o que, aliás, tá nos meus planos de vida reler) e ter acho OMG QUE FANTÁSTICO ESSE CARA. Desse ano pra cá, já devo ter relido  umas quatro vezes, e percebi que meu pobre gibizão não tá mais naquele estado de juventude que imaginei que deveria estar xD

(Eu não tenho verguenza na cara nenhuma em dizer que, com a banalização da máscara do personagem, eu me sinto como aqueles hipsters que deixam de ouvir uma banda só porque passou na MTV: dá vontade de sair gritando por aí paaaaarem, vocês não entenderam nada :()

Num futuro distópico, após uma guerra nuclear onde parece que o restante do mundo não existe mais, a Inglaterra está sob o domínio fascista. Codinome V, o personagem principal, é sobrevivente de um dos campos de concentração do regime e volta para se vingar dos responsáveis por tudo que ele passou. Yeah, Codinome V é um terrorista, e não o super-herói que quer libertar o povo. Mas ele é, antes, um anarquista, e acredita que somente através do caos, da destruição e da morte é que se pode derrubar um regime político totalitário e que a liberdade e a justiça devem ser prioridades a serem alcançadas tanto individualmente como enquanto regime. V  busca vingança, e não mudança social, mas usa sua vendetta para ensinar ao povo o verdadeiro sentido da liberdade e da ordem (ordem não no nosso sentido positivista).

“Nossa integridade (…) pode não ser muito, mas é tudo o que nos resta. São nossos últimos centímetros, mas neles nós somos livres”

(…)

“Então não há mais como ameaça-la, não é?

Você está livre.”

(…)

“Mas onde estão as respostas?

Quem me aprisionou aqui? Quem me mantém aqui? Quem pode me libertar? Quem está controlando e restringindo a minha vida, a não ser…
… Eu?”

V de Vingança é, com certeza, um dos meus livros prediletos, não porque eu entendi tudo e sei tudo de cor, mas porque eu tenho sempre que voltar a reler e terminar com aquela sensação de “nossa, eu sei tão pouco de tudo”.

– Anna