Mark Twain – Tom Sawyer

Ana,

Mais um da série “não-lidos-e-já-comprados-ou-baixados”, Tom Sawyer foi a minha escolha pro desafio desse mês porque a edição que eu tenho é muito da cara de pau (o nome original é The Adventures of Tom Sawyer e algo me diz que essa tradução que eu tenho é uma mistura dela e de As Viagens de Tom Sawyer) e só traz o nome do guri. Ou seja, eu tava cheating mas involuntariamente 😛

— É, eu não li esse livro quando era criança 😦 —

Tom Sawyer é uma peste que vive com a tia e os irmãos/ primos e que mata aula pelos motivos mais legais: bater nos colegas, tomar banho no rio, se meter em confusão e chegar em casa rasgado… uma versão gringa do Chico Bento (ops, o contrário). Já a tia dele é uma chata que por qualquer motivo espanca o menino (não qualquer motivo, né. Ele também não colabora). O que me leva a duas conclusões: eu sempre torço pelos rebeldes; crianças são um saco (menos as crianças do Ondjaki <3).

Não é um livro ruim, mas acho que eu não tava muito na pilha desse tipo de literatura. Dessa vez foi realmente um ~desafio~, porque toda hora eu queria trocar de livro.

Minha conclusão: a vida é muito curta pra ler um livro que não estamos afim, se não for pra a) fazer post no blogue ou b) ganhar ponto no fim do semestre 😉

 

-Anna

José Saramago – Caim

Anna,

para o último mês do desafio, resolvi ler um livro que me foi muito recomendado…. por você! 😀 Estava “guardando” Caim justamente para o desafio, e me arrependi de não ter lido antes!

 A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.

Como o título já entrega, Caim conta a história de Caim (jura?), aquele que matou Abel, etc. Caim é protagonista (ou talvez “o mocinho”), e só matou o irmão porque Deus fez pouco-caso de suas oferendas. Deus o amaldiçoa, coloca uma marca em sua testa e condena Caim a uma vida de nômade.

 Estava claro, o senhor desdenhava Caim. Foi então que o verdadeiro carácter de Abel veio ao de cima. Em lugar de se compadecer do desgosto do irmão e consolá-lo, escarneceu dele, e, como se isto ainda fosse pouco, desatou a enaltecer a sua própria pessoa, proclamando-se, perante o atónito e desconcertado Caim, como um favorito do senhor, como um eleito de deus.

Caim viaja não apenas no espaço, mas também no tempo. Visita Abraão – aquele que ia matar o filho – e se envolve romanticamente com Lilith. Passeia pelo Jardim do Éden, Sodoma, Gomorra e a Torre de Babel. Conhece Lot e (a melhor parte) Noé e sua arca. E vai descobrindo que Deus é um tirano mimado e um tanto quanto incoerente (“o bandido”).

O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o próprio filho, com a maior simplicidade o fez, como quem pede um copo de água quando tem sede, o que significa que era costume seu, e muito arraigado. O lógico, o natural, o simplesmente humano seria que abraão tivesse mandado o senhor à merda, mas não foi assim.

Quem nunca leu Saramago (e como está perdendo quem nunca leu Saramago!) pode muito bem começar por Caim. A leitura é rápida e divertida, especialmente depois que você se (re)acostuma à pontuação inusitada. Isso, claro, se o leitor não for carola! 😀

 Quanto à mulher de lot, essa olhou para trás desobedecendo à ordem recebida e ficou transformada numa estátua de sal. Até hoje ainda ninguém conseguiu compreender por que foi ela castigada desta maneira, quando tão natural é querermos saber o que se passa nas nossas costas. É possível que o senhor tivesse querido punir a curiosidade como se tratasse de um pecado mortal, mas isso também não abona muito a favor da sua inteligência, veja-se o que sucedeu com a árvore do bem e do mal, se eva não tivesse dado o fruto a comer a adão, se não o tivesse comido ela também, ainda estariam no jardim do éden, com o aborrecido que aquilo era

Fazer esta resenha foi bem difícil. Eu queria simplesmente copiar os 100 trechos que destaquei durante a leitura, colar aqui e dizer para o nosso um leitor: “LEIA, olha só como é bacana, provocador, um tanto ofensivo, mas principalmente gostoso de ler!”. MAS, como a cara de pau ainda não chegou nesse nível…. fiz só quase. 😛

Ok, o livro não mudou minha vida/ a forma como penso sobre divindades em geral/ minha visão sobre o Antigo Testamento. Mas um livro não precisa mudar sua vida pra ser bacana! Concluo com uma reflexão de Caim:

Sempre ouvi dizer aos antigos que as manhas do diabo não prevalecem contra a vontade de deus, mas agora duvido de que as coisas sejam assim tão simples, o mais certo é que satã não seja mais que um instrumento do senhor, o encarregado de levar a cabo os trabalhos sujos que deus não pode assinar com seu nome.

– Ana

Desafio Literário – Junho

ÚLTIMO MÊS DO DESAFIO 12/13!

Janeiro Escritores latino-americanos
Fevereiro Livros gastronômicos
Março Adaptação para o cinema
Abril Nobel
Maio Escritores asiáticos
Junho Nome próprio
Julho Serial killer
Agosto Ficção científica
Setembro Escritores africanos
Outubro Chick lit
Novembro Literatura Pop
Dezembro Contos

Ana lerá Caim, de José Saramago.

Anna lerá Tom Sawyer, de Mark Twain.