John Green – A culpa é das estrelas

Anna,

Num esforço de deixar resenhas engatinhadas pro blog, resolvi ler alguns livros “pop” e modernos. A lista de “best of” do Goodreads é sempre minha salvação nestas horas! Este livro ganhou na categoria “young adult” em 2012, então foi fácil. Uma dúvida pertinente: o que c4r@lhos define um livro como “young adult”?

Viciei na primeira página. Sério. Li – ou melhor, ENGOLI – em duas horas e meia.

Hazel Grace tem 16 anos. E tem câncer na tireoide, com metástase nos pulmões, estágio IV. Sua mãe a obriga a participar de um grupo de ajuda, onde ela encontra seu amigo Isaac, câncer ocular, que vai perder o segundo olho.

O Isaac e eu nos comunicávamos quase exclusivamente por meio de suspiros. Cada vez que alguém falava de dietas anticâncer, de cheirar cartilagem de tubarão em pó ou sei lá, ele me olhava e suspirava de leve. Eu balançava a cabeça em um movimento microscópico e dava um suspiro em resposta.

[Você pode imaginar o quanto eu me dobrei de rir ao ler isso].

Isaac trouxe seu amigo Augustus, 17 anos, osteosarcoma, uma perna amputada, sem sinal de câncer há 1 ano e 2 meses para o grupo de apoio. E Hazel só pensa em como Augustus é gato. Após a reunião, enquanto Isaac dá uns pegas na namorada Monica (que não tem câncer), Hazel e Gus começam a conversar. Ela recomenda que ele leia o livro “Uma aflição imperial”, sobre uma menina com leucemia.

Mas esta não é uma história de câncer, porque livros assim são um horror (…) a Anna resolve que ser uma pessoa com câncer que abre uma instituição de caridade para ajudar nas pesquisas da própria doença é um tanto narcisista, então monta uma instituição chamada Fundação Anna para Pessoas com Câncer que Querem Curar o Cólera.

O UAI termina sem terminar – não se sabe se Anna sobreviveu, o que aconteceu com a mãe dela, etc. E o autor daquele livro desapareceu. Gus se apaixona pelo livro também, descobre como se comunicar com o autor (algo que Hazel tentou por muito tempo) e resolve usar seu “pedido de criança com câncer” para levá-la até a Holanda, encontrar o autor e finalmente descobrir as respostas.

PRONTO. É o que eu posso contar sem espoilear completamente o livro.  Augustus é o plot-twist na vida de Hazel, e tudo está bem até que a reviravolta do livro acontece. Até então, você está rindo – e é meio desconfortável achar um livro que trata de câncer infanto-juvenil leve e engraçado.

Mas como não rir de um trecho assim?

“Tá, é que eu fui ao médico hoje de manhã e estava falando para o meu cirurgião que preferiria ser surdo a ser cego. E ele disse: ‘Não é assim que as coisas funcionam’. Aí eu falei, tipo: ‘É, eu sei que não é assim; só estou dizendo que preferiria ser surdo a ser cego se pudesse escolher, mas sei que não posso.’ E ele: ‘Bem, a boa notícia é que você não vai ficar surdo’. Eu disse: ‘Obrigado por esclarecer que meu câncer no olho não vai me deixar surdo. É muita sorte minha ter um gênio como você me operando’

– Ele é mesmo um gênio – falei. – Vou tentar arrumar um câncer qualquer no olho para poder conhecer esse cara”.

Depois da reviravolta na trama, o livro te faz chorar, e é bem bonito. É engraçado como o Goodreads se dividiu entre “OMG este livro é perfeito” e “OMG que grandessíssema bosta”. Eu gostei bastante. Dei cinco estrelas porque sou dessas que sai dando cinco estrelas pra livros bacanas que, ao final da leitura, você vira e fala “ahhh, ESSE valeu a pena”.

Ana

PS: Como fiz com Rainbow Rowell, busquei outro livro do autor. Li “Cidades de Papel”. E achei tão sacal (duas estrelas e olhe muito lá, capaz d’eu voltar e rebaixar) que também não vai ganhar resenha. E sim, parei com esse negócio de ler dois livros seguidos do mesmo autor. Especialmente se o livro for nessa traiçoeira categoria de “Young Adult”.

Rainbow Rowell – Eleanor & Park 

Desafio 2015: Ambientado no Ensino Médio


 Anna,

decidi ler Eleanor & Park por uma única razão: ele apareceu em uma das listas de melhores do ano do Goodreads, na categoria “Young Adult”.

Eleanor é uma garota estranha. Ela é nova na escola, gorda, cabelos vermelhos e se veste de uma forma muito estranha. Parks é um garoto meio-coreano, “cool” o suficiente para ter seu próprio assento no ônibus da escola, mas não a ponto de ser popular. Eleanor entra no ônibus. Acaba tendo que sentar ao lado de Parks. Eles nem se olham. Óbvio. No ônibus e no colégio, temos a garota-totalmente-popular-e-bitch Tina, o garoto-sou-adulto-porque-tomo-cerveja Steve, e obviamente também, o bullying vai começar. Eleanor acabou de voltar para casa. Uma casa pequena, com quatro irmãos mais novos, uma mãe submissa e um padrasto cruel.  Aos poucos, Park e Eleanor vão se aproximando.

She was reading his comics. At first Park thought he was imagining it. He kept getting this feeling that she was looking at him, but whenever he looked over her, her face was down (…). Park didn’t say anything. He just held his comics open wider and turned the pages more slowly.

E, também aos poucos, se apaixonam. O livro é contado em terceira pessoa, mas alterna o foco entre Eleanor e Park. O que é ótimo, porque você entende os dois personagens em conjunto. E essa identificação me levou às lágrimas várias vezes. E essa identificação, como você pode imaginar, me fez ler o livro em uma sentada. E quis reler.

Because if she was going to cry about something, it was going to be the fact that her life was complete shit – not because some cool, cute guy didn’t like her like that. Especially when just being Park’s friend was pretty much the best thing that had ever happened to her.

Holding Eleanor’s hand was like holding a butterfly. Or a heartbeat. Like holding something complete, and completely alive. (…) Maybe I’m not attracted to real girls, he’d thought at the time. Maybe I’m some sort of perverted cartoon-sexual. Or maybe, he thought now, he just didn’t recognise all those other girls. The way a computer drive will spit out a disk if it doesn’t recognise the formatting. When he touched Eleanor’s hand, he recognised her. He knew

Quando tudo está indo relativamente bem, a situação na casa de Eleanor piora brutalmente.  E depois da piora, o plot-twist que você sabe que vai acabar acontecendo, mas realmente queria que não acontecesse.

Sem querer espoilear, mas o livro termina como um segundo filme de uma trilogia, ou como terminou o sexto livro do Harry Potter: “quem é R.A.B.?”. Lembro que (antes de sair o sétimo livro) saí gritando pra minha mãe e irmã quando descobri, no meio da noite: “CARA, é Regulus ‘qualquer coisa com A’ Black, certeza!”.

Neste caso, a pergunta é “quais foram as três palavras?”, e eu quero sair gritando a resposta.  Só pode ser uma, porque eu me apaixonei por Eleanor e por Park.

– Ana

PS: Quando escrevi a resenha, tinha escrito que “vou procurar ler mais da Rainbow Rowell”. Li logo em seguida “Fangirl”, e achei bem mais ou menos – tão mais ou menos que não vai nem ganhar resenha. Pois é, Cath e Wren realmente não são Eleanor e Park.