Yasunari Kawabata – A Casa das Belas Adormecidas

Ana,

Esse livro é mais um dos meus não-lidos-e-já-comprados-ou-baixados e, por coincidência, também é de um escritor japonês. Quando eu li Memória de Minhas Putas Tristes a primeira vez — e não gostei —, fiquei intrigada com o título do livro do Kawabata, que é o que serve de mote para o livro do García Marquez. Um dia, quando já estava relendo o Memória…  — e gostando —, resolvi procurar o A Casa das Belas Adormecidas, que ficou baixado e esquecido no HD.

Eu já disse que a coisa que estou mais amando no Desafio (e no bloguito) é poder ler coisas que eu não leria? 😀

A Casa das Belas Adormecidas é um livro sensível e bonito. Conta as idas de Eguchi, um senhor de 67 anos, casado e pai de três moças também casadas, ao que seria uma casa de prostituição, não fosse o fato das moças serem virgens — e terem que permanecer como tal —, estarem sempre adormecidas por um poderoso sonífero e só receberem senhores de idade pra passar a noite, “para evitar constrangimento aos velhos que não eram mais homens“. Eguchi visitou a casa pela primeira vez por curiosidade, já que ouviu falar dela através de um amigo, mas acabou retornando lá “sempre que o desespero de envelhecer se tornava insuportável“.

para os velhotes que pagavam pelas jovens, o fato de poder deitar-se ao lado de uma garota como aquela equivalia, sem dúvida, à felicidade de se encontrar no paraíso. Já que a menina não acordava, o cliente idoso não precisava envergonhar-se do complexo de senilidade, e ganhava a permissão de perseguir livremente suas fantasias a respeito das mulheres e mergulhar em recordações. Talvez por isso não hesitassem em pagar mais caro pela garota adormecida do que por uma mulher acordada.

Durante essas noites, Eguchi se recorda de várias passagens de sua vida, desde a morte da mãe até suas namoradas e seu casamento. Pensa também nas filhas e em ex-amores, e se questiona muito sobre a velhice e o que ela traz de mais terrível: a solidão.

Numa noite tão fria, se pudesse me aquecer no calor de um corpo jovem e morrer de repente seria a suprema felicidade para este velho.

(…)

[Eguchi,] como um ser humano comum, vez por outra caía em depressão devido ao vazio da solidão e ao desgosto do isolamento. Não seria aquela casa um local ideal para morrer?

O livro traz algumas considerações sobre a sexualidade na velhice e sobre o feminino, o que é bem bacana de se considerar.

A sexualidade na idade madura aflora nua e crua num cenário composto para o deleite de quem não mais pode procurá-lo por conta própria. (…) A pureza da garota, pelo contrário, acentuava a fealdade dos velhos.

– –

não se pode conhecer a exuberância do corpo de uma garota somente com o olhar, nem apenas se deitando ao seu lado de maneira recatada.

(…)

Parece que o responsável por conduzir o homem ao “mundo da perdição” era o corpo feminino.

É interessante observar como Eguchi, sendo deixado sozinho no quarto com uma adolescente adormecida e nua, sempre tem que conter seus ímpetos violentos. Ele fica se questionando se seria capaz de matar uma mulher somente por prazer, ou se perguntando o que aconteceria com a casa se uma das meninas amanhecesse morta.

[Uma mulher adormecida] Seria um brinquedo perfeito ou um animal de sacrifício?

Sem contar a consideração final dele ao meditar sobre os acontecimentos que levaram ao casamento da filha mais nova, a sua preferida:

O corpo de sua filha caçula não era diferente do de qualquer outra mulher. Era feito para ser subjugado à vontade de um homem.

É uma novela curtinha, mas o final não me agradou. Pareceu terminado às pressas, ou parece que o final não combinou com o restante do livro, não sei. Mas serviu de pretexto pra eu reler de novo (re-reler) o Memórias 🙂

– Anna

Haruki Murakami – Blind Willow, Sleeping Woman

Anna,

eu não aprendo mesmo. Depois de muito reclamar da dificuldade pra resenhar, lá estou eu lendo outro livro de contos…  Quando você resenhou Minha Querida Sputnik, tive certeza que escolheria o japonês Haruki Murakami para o desafio deste mês! 🙂

Peguei Blind Willow, Sleeping Woman pra ler esperando muito. A introdução para a edição em inglês aumentou ainda mais as expectativas… e o primeiro conto foi absolutamente MEH. Não vi nada demais. Bacaninha, apenas. E era o conto-título! Fiquei com a sensação de que tinha sido enganada. Daí li o (ótimo) segundo conto, Birthday girl. E The Mirror, excelente conto sobre algo entre horror e filosofia.  E mais ou menos em A “Poor Aunt” Story, decidi que tinha gostado do livro. Claro, alguns contos são chatinhos/nadaver. E como todo livro de contos de fantasia que se preze, há um sobre gatos sendo esquisitos.

Um dos contos mais bacanas do livro é Tony Takitani. E foi mais ou menos neste momento que entendi o que me incomodava no livro – os diferentes gêneros de contos. Dentre os 24 contos, alguns são de realismo fantástico. Alguns, de romance, por falta de uma palavra melhor. E outros são só estranhos mesmo. E isso gerou uma certa decepção: alguns contos meio chatinhos eu lia pensando “ok, algo mágico vai acontecer”… e o conto acabava sem nada. O que mostra o verdadeiro problema que tive com este livro: a expectativa. Se eu nunca tivesse ouvido falar de Murakami, eu provavelmente estaria escrevendo sobre o “excelente livro que acabei de ler”.

Os seis últimos contos são muito bons/excelentes. Talvez o livro deva realmente ser lido na ordem, e os contos finais encarados como uma recompensa pela perseverança! 😀

– Ana

Desafio Literário – Maio

Vamos ao desafio de maio!

Janeiro Escritores latino-americanos
Fevereiro Livros gastronômicos
Março Adaptação para o cinema
Abril Nobel
Maio Escritores asiáticos
Junho Nome próprio
Julho Serial killer
Agosto Ficção científica
Setembro Escritores africanos
Outubro Chick lit
Novembro Literatura Pop
Dezembro Contos

Ana lerá Blind Willow, Sleeping Woman, de Haruki Murakami.

Anna lerá A Casa das Belas Adormecidas, de Yasunari Kawabata.