Neil Gaiman – The Ocean at the End of the Lane

Desafio 2015: Livro de um de seus autores favoritos que você ainda não tenha lido 


Anna,

quando alguém me pergunta qual meu autor favorito, a resposta vem VOANDO: Neil Gaiman. Qual meu livro favorito do meu autor favorito? American Gods. Etc. Já comprei briga na internet quando aquele-que-não-deve-ser-nomeado-1 começou a fazer pouco-caso dele, etc. #fangirl total, eu sei. Agora, quer ver uma coisa impossível (pra mim)? Fazer uma resenha decente de um livro dele. Eu quase desisti desta no meio do caminho. Ao contrário da leitura, que foi feita em uma sentada só, como de costume. 🙂

I was not happy as a child, although from time to time I was content. I lived in books more than I lived anywhere else.

Obrigada, Neil Gaiman, por me descrever em cada livro. Ok, calma. Foco. Temos uma resenha para escrever. O livro começa com o protagonista (que não tem nome) voltando à sua cidade natal para um funeral. No caminho, ele se lembra de uma garota, Lettie Hempstock, que conheceu na infância. E se recorda de um suicídio que criou uma conexão entre o nosso mundo e o mundo sobrenatural, permitindo uma criatura estranha entrasse aqui e tentasse nos… “ajudar”. Só que não foi lá essas maravilhas. Quando o protagonista se vê em uma enrascada causada por essa “ajuda”, Lettie promete protegê-lo para sempre. Não quero contar muito mais do que isso, para não spoilear mais – e você PRECISA ler este livro, é fantástico! Mas, para dar uma ideia do rumo que a história toma:

I had run for miles through the dark (…) The dread had not left my soul. But there was a kitten on my pillow, and it was purring in my face and vibrating gently with every purr, and very soon, I slept.

Uma coisa que adoro em todos os livros do Gaiman (e este não foi diferente) é que a mágica/fantasia é narrada de uma maneira tão, mas tão verossímil, que você só lembra de duvidar que aquilo tenha realmente acontecido quando termina o livro. Durante a leitura, é tudo real, tudo faz sentido: Gaiman não força a barra. É fantasia. Mas é fantasia coerente. Outra coisa marcante (e característica) é a nostalgia, que nunca é piegas. Só pela não pieguice o livro já vale a pena! 😀 Encerro a resenha com uma das passagens que não contribuem em quase nada para o enredo, mas que me fizeram sorrir. Ah, Gaiman. (suspiros).

I’m going to tell you something important. Grown-ups don’t look like grown-ups on the inside either. Outside, they’re big and thoughtless and they always know what they’re doing. Inside, they look just like they always have. Like they did when they were your age. The truth is, there aren’t any grown-ups. Not one, in the whole wide world.

Sabe quando você termina de ler um livro com a certeza absoluta de que irá relê-lo? Pois.

 – Ana

Nathaniel Hawthorne — Rappaccini’s Daughter

Desafio 2015: Livro de um autor que você nunca tenha lido


Ana,

Desde a faculdade que eu venho ouvindo falarem sobre Nathaniel Hawthorne, mas nunca tinha lido nada dele, sabe-se lá por quê.

Para essa categoria, eu escolhi essa novela depois de ler que Beatrice — a filha de Rappaccini — inspirou ao mesmo tempo duas supervilãs, a personagem Era Venenosa (Poison Ivy, da DC Comics) e a filha de Monica Rappaccini (inspirada no Dr. Rappaccini), Carmila Black (da Marvel) 😀

Giovanni é um universitário italiano que se muda pra Pádua para estudar com um grande amigo de seu pai, o professor Pietro Baglioni. Ele acaba indo morar numa pensão vizinha ao Dr. Rappaccini, um cientista proscrito da comunidade por seus trabalhos um tanto quanto suspeitos com plantas venenosas.

Através da sua janela, Giovanni começa a perceber algo estranho com Beatrice, filha do cientista, que parece imune aos malefícios das plantas. Vale lembrar que o jardim inteiro deles é formado por plantas e ervas venenosas. Um fucking jardim inteiro! Mesmo com receio de algum contato com ela — principalmente depois de perceber que ela não só é imune a veneno como faz morrer flores e insetos ao redor de si —, Giovanni se apaixona e começa a se encontrar no jardim com Beatrice, pra desespero de seu tutor, que tenta afastá-lo dela com medo que Rappaccini possa usar o rapaz pra algum experimento, como desconfiam (com razão) que ele tenha feito com a filha.

No slideshare eu achei uma aula (parece) superinteressante sobre vários aspectos da obra — a relação entre pai e filha, veneno e amor, o aspecto belo e terrível de Beatrice, as várias interpretações para a porta do jardim e do próprio jardim e go on. Acho legal a visita 🙂

–Anna

Carlos Ruiz Zafón – Marina

Anna,

No dia que terminei de ler Bridget Jones, reclamei no twitter e disse que precisava ler uma coisa BOA, pra destraumatizar. Minha querida amiga Camis (@MissCamilaD) me sugeriu Marina, e eu prontamente aceitei.

Óscar Drai é um garoto de 15 anos que estuda em um internato de Barcelona no fim da década de 70. Todos os dias, ele dribla a portaria ao final das aulas e passeia a pé, descobrindo a vizinhança. Até que um dia, ao escurecer, ele vê um gato atrase um portão de uma mansão aparentemente abandonada, e por instinto entra na propriedade. Vê uma silhueta de mulher, e, em pânico, pega um relógio e sai correndo.

Alguns dias depois, cheio de remorso, vai devolver o relógio. É assim que ele conhece Marina, que tem sua idade e vive no casarão com Germán, seu pai (e dono do relógio). Aos poucos, Óscar adota Marina e Germán como sua família, visitando-os sempre. Um dia, Marina e Óscar saem para passear e acabam no cemitério do bairro.

“O cemitério de Sarriá é um dos lugares mais escondidos de Barcelona. Quem procurar no mapa, não vai achar nada. […]. Os poucos que conhecem o segredo de sua localização suspeitam que, na verdade, o velho cemitério não seja mais do que uma ilha do passado que aparece e desaparece a seu bel-prazer”.

No cemitério, observam uma senhora vestida completamente de negro, com um capuz escondendo seu rosto. A senhora visita um túmulo sem nenhuma inscrição, apenas uma borboleta negra com asas abertas. E, CLARO, resolvem seguir a misteriosa senhora.

Só que nem em livros de fantasia isso é uma boa ideia… 😀 Não posso dar mais detalhes sem fazer spoiler terrível! 🙂

A trama, que até então estava normalzinha, toma um rumo interessante. Marina e Óscar têm um mistério em suas mãos, e resolvem ir atrás, com a curiosidade normal dos adolescentes entendiados que precisam dar um sentido à vida. A investigação é surreal (no sentido literal), e os personagens novos que esta investigação traz são bem interessantes e bem desenvolvidos.

Sem querer espoilear, mas já espoileando…. a transformação da percepção do leitor sobre o personagem principal da investigação, Mijail Kolvenik, é impressionante. Ele tem uma história trágica, que vai sendo descoberta aos poucos. O livro termina triste, e a cena final arrancou uma lagriminha disfarçada.

“Às vezes, as coisas mais reais só acontecem na imaginação, Óscar – disse ela [Marina]. – A gente só se lembra do que nunca aconteceu.”

Gostei muito da história e do estilo do autor. E eu, que nunca tinha lido nada do Zafón (se é modinha eu demoro mesmo #hipster), já quero ler os famosos! 🙂