Haruki Murakami – Blind Willow, Sleeping Woman

Anna,

eu não aprendo mesmo. Depois de muito reclamar da dificuldade pra resenhar, lá estou eu lendo outro livro de contos…  Quando você resenhou Minha Querida Sputnik, tive certeza que escolheria o japonês Haruki Murakami para o desafio deste mês! 🙂

Peguei Blind Willow, Sleeping Woman pra ler esperando muito. A introdução para a edição em inglês aumentou ainda mais as expectativas… e o primeiro conto foi absolutamente MEH. Não vi nada demais. Bacaninha, apenas. E era o conto-título! Fiquei com a sensação de que tinha sido enganada. Daí li o (ótimo) segundo conto, Birthday girl. E The Mirror, excelente conto sobre algo entre horror e filosofia.  E mais ou menos em A “Poor Aunt” Story, decidi que tinha gostado do livro. Claro, alguns contos são chatinhos/nadaver. E como todo livro de contos de fantasia que se preze, há um sobre gatos sendo esquisitos.

Um dos contos mais bacanas do livro é Tony Takitani. E foi mais ou menos neste momento que entendi o que me incomodava no livro – os diferentes gêneros de contos. Dentre os 24 contos, alguns são de realismo fantástico. Alguns, de romance, por falta de uma palavra melhor. E outros são só estranhos mesmo. E isso gerou uma certa decepção: alguns contos meio chatinhos eu lia pensando “ok, algo mágico vai acontecer”… e o conto acabava sem nada. O que mostra o verdadeiro problema que tive com este livro: a expectativa. Se eu nunca tivesse ouvido falar de Murakami, eu provavelmente estaria escrevendo sobre o “excelente livro que acabei de ler”.

Os seis últimos contos são muito bons/excelentes. Talvez o livro deva realmente ser lido na ordem, e os contos finais encarados como uma recompensa pela perseverança! 😀

– Ana

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Haruki Murakami – Minha Querida Sputnik

Ana,

Há alguns anos eu li Norwegian Wood, do Murakami. Nunca tinha ouvido falar no autor (eu sou péssima pra fugir dos meus próprios clichês, então não guardo muito nome de autor “novo” pra mim), mas OMG, era o nome de uma música dos Beatles! Nessa época eu ainda era uma feliz com minha carteirinha da BCE, e pegava 10 livros de uma vez pra não ler nenhum inteiro e devolver todos com atraso **suspiro de saudades**. E foi lá na BCE que eu passei o olho pelo título e peguei. Acho que nunca tinha lido nada de literatura japonesa, e gostei muito!

Pelo que eu pude notar, a escrita de Murakami é bem moderna: os personagens usam computador, ouvem jazz e rock, frequentam bares badalados, há citações da cultura pop (em Minha Querida Sputnik, a personagem principal é fã de Kerouac). E não foi muito diferente nesse livro escolhido pro Desafio.

O livro tem basicamente três personagens: Sumire, a personagem principal; Miu, uma empresária coreana naturalizada japonesa, por quem Sumire se apaixona; e o narrador, melhor amigo de Sumire e apaixonado por ela. Sumire tem 22 anos e é uma garota bem confusa. E aqui o autor usa uma velha fórmula de criação de personagens: Sumire não se encaixa no mundo, não tem muitos amigos, não se relaciona com ninguém. Passa os dias fumando e lendo um romance atrás do outro, e ligando pro seu melhor amigo de madrugada com dúvidas existenciais ou nem tanto. Sumire não é bonita (mas também não é feia), não se arruma, usa paletó masculino e cabelo despenteado. Basicamente uma personagem de romance Romântico transportada para um romance moderno (o livro é de 1999). Sumire e o narrador se conheceram na faculdade (que ela abandonou) e se tornaram melhores amigos — ou únicos amigos, pelo que o livro deixa transparecer. Ele é professor e também não muito socialmente “normal”. Miu é o oposto de tudo isso: uma mulher de 30 e tantos anos, bonita, independente, rica, sabe não sei quantas línguas etc. e me pareceu, enquanto personagem, bem superficialmente construída.

A narrativa conta a história dos três e dos conflitos de sentimentos que nunca chegam à tona. Não é um livro ótimo — acho inclusive que gostei mais do Norwegian Wood — mas é um livro facinho de ler, bom pra distrair 🙂

No blog Organizando o Caos tem uma foto do primeiro capítulo do livro (eu não tirei do meu porque li no Kindle e a formatação não pega o primeiro capítulo inteiro) e eu tive a cara de pão de copiar: