Douglas Coupland – All Families Are Psychotic

Anna,

para o desafio, tinha me proposto a ler Generation X, do Douglas Coupland, porque não queria ler Nick Hornby ( ❤ ❤ ❤ ) de novo. Comecei. Minha versão estava malformatada e, a bem da verdade, eu estava achando o livro meio bleh. Então resolvi trocar por outro do mesmo autor! 😀 #caradepão

Com um título extremamente apropriado pro momento atual (hihihi #sutilezas), All Families are Psychotic é um livro bacana. A família Drummond, de Vancouver, é formada por vários membros bizarros. O pai Ted (que gastou toda a grana da família) se divorciou da mãe Janet (uma ex-sem-graça que descobriu a internet) e está namorando com uma garota vários anos mais nova, Nickie. O filho mais velho, Wade, é um ex-porra-louca que trabalhava com contrabando biológico/farmacêutico. Sarah, a filha do meio, é o oposto do estereótipo de filha do meio: é bem ajustada, super inteligente, vai pro espaço com a NASA e….. nasceu sem uma mão, vítima da talidomida. Finalmente, Bryan, o filho mais novo, é depressivo, tentou se suicidar três vezes, e está namorando uma garota que resolveu trocar de nome para… SHW.  E esses são só os personagens principais! Tá acompanhando até aí? 😛

Depois de vários anos sem se ver direito, todos se reúnem na Flórida para acompanhar o lançamento da missão espacial de Sarah. Nesse momento, você fica “ok, astronauta sem uma mão, vou relevar”. E, na boa, esta foi a parte MENOS implausível do livro! Hahahah!  No livro tem de tudo: venda de bebês, contrabando, mafiosos da indústria farmacêutica, AIDS, Disney World (!!!)… é uma salada.  Mas a evolução de Janet – de uma bestinha padrão pra uma mulher razoavelmente forte e dona da própria vida – é bem-construída. Ela talvez seja a principal personagem do livro, mas no meio de todo o caos… sei não. 😀

Quanto ao título, duas passagens bacaninhas e, na minha opinião, extremamente verdadeiras:

 “You should see my family. Every single one of us is psychotic.”

“All families are psychotic, Wade. Everybody has basically the same family – it’s just reconfigured slightly different from one to the next. Meet my in-laws one of these nights.”

“People are pretty forgiving when it comes to other people’s family. The only family that ever horrifies you is your own.”

Acho que a definição perfeita do livro você deu na sua resenha do Desafio: “Não é um livro ótimo, mas é um livro facinho de ler, bom pra distrair :)”

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Miss Minimalist: Inspiration to Downsize, Declutter, and Simplify – Francine Jay

Ana,

semana passada terminei de ler o Miss Minimalist: Inspiration to Downsize… É um livro empolgante! Me identifiquei com muitos posicionamentos da autora (que mantém o blog missminimalist.com) e ele me inspirou mais ainda em continuar lendo e “praticando” (não sei se essa seria a palavra) o minimalismo. Ele é menor que o The Joy of Less, A Minimalist Living Guide: How to Declutter, Organize, and Simplify Your Life, também dela (e que eu já baixei — livros grátis da Amazon, eu amo vocês). Mas é um livro l-i-n-d-o!

A ideia de que não precisamos acumular coisas, seguir a moda, trocar de TV todo ano e de carro a cada três é realmente um alívio. Diminuir nossas obrigações com as coisas que temos (pesquisar preços, comprar, guardar, limpar, manter, consertar etc. etc. etc.) é aumentar nosso tempo para as coisas que realmente gostamos e que acrescentam à nossa vida. A ideia de que não precisamos ter objetivos estritamente definidos na vida e vivermos pra eles, como numa corrida pra não sei onde (o capítulo sobre a beleza das flores selvagens é um amor), de que não precisamos viver pra trabalhar, que nós não somos o que nós temos… tudo isso é realmente uma libertação.

Acho que meus impulsos minimalistas começaram quando eu assisti Clube da Luta pela primeira vez (apesar de o filme não ser especialmente sobre minimalismo). A frase “Only after you lost everything that you free to do anything” nunca saiu da minha cabeça. E o Edward Norton passando as páginas de um catálogo e pensando “que tipo de jogo de jantar me define como pessoa?” para, lá na frente, ouvir de Tyler Durden “Você não é o seu emprego. Você não é quanto dinheiro você tem no banco. Você não é o carro que você dirige. Você não é o conteúdo da sua carteira. Você não é as calças cáqui que veste” é um choque de realidade (pra ficar bem no clichê).

Graças ao Kindle, consegui marcar umas coisinhas que eu volta e meia releio e acho que, sim, me identifico cada dia mais com o minimalismo. O principal, o que eu queria escrever numa camiseta, imprimir, fazer pôster, distribuir na rua, é esse:

“We’re sick of being slaves to debt and keeping up with the Joneses. We’re tired of working long hours at jobs we don’t like, to pay for things we don’t need. We’re unhappy with the clutter in our homes, and the commercialization of our holidays. We’re angry that human rights are violated to fill our stores with cheap clothes and plastic gizmos. We’re worried that our children and grandchildren won’t have the clean air and water that should be their birthright.

(…)

“Well, we declare “Enough!” We refuse to spend the better part of our lives desiring, acquiring, and paying for things. We are neither Consumers, nor Anti-Consumers, but Minsumers: we seek to minimize the role of consumption in our lives.

“We are an invisible army, and our offense is our absence: the empty spaces in the parking lot, the shorter checkout lines, the silence at the cash registers.

“We regard with a critical eye their attempts to make us feel unattractive, unsafe, and unsatisfied. We turn off the television, cancel our magazine subscriptions, and use ad-blocker in our web browsers.

“Most importantly, by not buying, we redefine ourselves: by what we do, what we think, and who we love, rather than what we have. And in the process, we rediscover the meaning in our lives. “

Haruki Murakami – Minha Querida Sputnik

Ana,

Há alguns anos eu li Norwegian Wood, do Murakami. Nunca tinha ouvido falar no autor (eu sou péssima pra fugir dos meus próprios clichês, então não guardo muito nome de autor “novo” pra mim), mas OMG, era o nome de uma música dos Beatles! Nessa época eu ainda era uma feliz com minha carteirinha da BCE, e pegava 10 livros de uma vez pra não ler nenhum inteiro e devolver todos com atraso **suspiro de saudades**. E foi lá na BCE que eu passei o olho pelo título e peguei. Acho que nunca tinha lido nada de literatura japonesa, e gostei muito!

Pelo que eu pude notar, a escrita de Murakami é bem moderna: os personagens usam computador, ouvem jazz e rock, frequentam bares badalados, há citações da cultura pop (em Minha Querida Sputnik, a personagem principal é fã de Kerouac). E não foi muito diferente nesse livro escolhido pro Desafio.

O livro tem basicamente três personagens: Sumire, a personagem principal; Miu, uma empresária coreana naturalizada japonesa, por quem Sumire se apaixona; e o narrador, melhor amigo de Sumire e apaixonado por ela. Sumire tem 22 anos e é uma garota bem confusa. E aqui o autor usa uma velha fórmula de criação de personagens: Sumire não se encaixa no mundo, não tem muitos amigos, não se relaciona com ninguém. Passa os dias fumando e lendo um romance atrás do outro, e ligando pro seu melhor amigo de madrugada com dúvidas existenciais ou nem tanto. Sumire não é bonita (mas também não é feia), não se arruma, usa paletó masculino e cabelo despenteado. Basicamente uma personagem de romance Romântico transportada para um romance moderno (o livro é de 1999). Sumire e o narrador se conheceram na faculdade (que ela abandonou) e se tornaram melhores amigos — ou únicos amigos, pelo que o livro deixa transparecer. Ele é professor e também não muito socialmente “normal”. Miu é o oposto de tudo isso: uma mulher de 30 e tantos anos, bonita, independente, rica, sabe não sei quantas línguas etc. e me pareceu, enquanto personagem, bem superficialmente construída.

A narrativa conta a história dos três e dos conflitos de sentimentos que nunca chegam à tona. Não é um livro ótimo — acho inclusive que gostei mais do Norwegian Wood — mas é um livro facinho de ler, bom pra distrair 🙂

No blog Organizando o Caos tem uma foto do primeiro capítulo do livro (eu não tirei do meu porque li no Kindle e a formatação não pega o primeiro capítulo inteiro) e eu tive a cara de pão de copiar:

Damien Echols – Life After Death

Anna,

Há um pouco mais de um mês li este artigo no Gizmodo, um trecho da autobiografia de um homem que passou 18 anos no corredor da morte. Gostei muito do estilo de escrita e decidi comprar o livro – se não me engano, esta foi a primeira autobiografia que li. Não me decepcionei. Damien escreve bem, fruto de suas ávidas leituras durante a prisão.

Aos 18 anos, Damien Echols e dois amigos (Jason Baldwin e Jessie Misskelley) foram falsamente acusados de assassinar três garotos de oito anos em um ritual satânico. Em um processo extremamente mal conduzido, os três foram condenados, mas Damien foi o único a receber a pena de morte. Os dezoito anos seguintes foram tudo o que se pode esperar: inimaginavelmente cruéis e revoltantes.

Não consegui ler na velocidade que estou acostumada. Na verdade, li 20% do livro e parei, com toda a confusão chamada casamento. Somente na quarta passada voltei a ler. Sou a típica leitora “de uma sentada”. Se o livro é bom, não paro de ler até o fim. Não deu para fazer isso com “Life After Death: The Shocking True Story of a Innocent Man on Death Row”. É muito, muito pesado. Além do óbvio, a narrativa não-linear pode ser um pouco cansativa. Em um momento o autor fala sobre a infância, antes de todo o inferno, e três parágrafos depois estamos lendo sobre como ele passou um mês na solitária na prisão por, sei lá, não ter cortado o cabelo. Eu parava, dizia “ok, chega desse livro por hoje”…. e meia hora depois estava lendo de novo.

Todos os horrores que estamos acostumados a ler sobre as prisões brasileiras se repetem no livro. Ao contrário do que os filmes mostram, não é só no Brasil que presos são torturados e submetidos a um tratamento absolutamente desumano… E também não é só no Brasil que o sistema judicial é corrupto até a raiz.

Acima de tudo, o livro renovou minha crença no libertarianismo, principalmente no que diz respeito ao Estado em controle do sistema judicial. Li um livro muito bom (não-literário), chamado “The Enterprise of Law: Justice without the State”, e acredito cada vez mais nisso. Ok, fim da digressão…. 😀

Passei uns quinze minutos desde o último parágrafo, pensando em como concluir. Este foi um daqueles livros que quando a gente termina, algo muda. Um choque de realidade, poderia-se dizer, mas não podemos falar em choque quando se trata desse livro. Você pega sabendo que vai ser terrível. Se há um choque, é ver que Damien saiu vivo e mais ou menos são disso tudo. Uma comparação me veio à mente agora, e me perdoe pela leviandade. Me lembrou Sirius Black explicando como sobreviveu à prisão (em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban). Todos ficavam loucos em Azkaban, porque os dementadores sugavam tudo de bom. Sirius manteve a sanidade porque sabia que era inocente, mas essa certeza não era uma coisa “boa”, então não podia ser sugada dele.

Life After Death choca e deprime, mas também te põe no teu lugar.

Desafio Literário – Novembro

Com imensos pedidos de desculpas pelo atraso (ô mês que já começou enrolado!), vamos ao desafio de novembro!

Janeiro Escritores latino-americanos
Fevereiro Livros gastronômicos
Março Adaptação para o cinema
Abril Nobel
Maio Escritores asiáticos
Junho Nome próprio
Julho Serial killer
Agosto Ficção científica
Setembro Escritores africanos
Outubro Chick lit
Novembro Literatura Pop
Dezembro Contos

Ana lerá Generation X, de Douglas Coupland.

Anna lerá Minha Querida Sputnik, de Haruki Murakami.