Belas Maldições – Neil Gaiman e Terry Pratchett

Anna,

A trama é simples. Um anjo e um demônio estão na Terra desde…. basicamente sempre. Acabaram amigos, o que é fácil de entender quando se aceita que o anjo não é bem um anjinho e o demônio nem é tão demoníaco assim. Sabe como? Pois é. Só que agora o Apocalipse está chegando, e o Anticristo está para nascer, em uma confusa troca de bebês. Tudo isso foi previsto nas tosquíssimas profecias de Agnes Nutter (pegou, pegou?), e sua bis-bis-bis (repita eternamente) neta está acompanhando, numa subtrama que era pra ser principal e é praticamente descartável.

Um diálogo hilário entre o anjo e o demônio, ambos bêbados, me lembrou nossas conversas filosóficas na Recoleta, se alguém tivesse sido troll o suficiente para gravar.

Não leia esperando encontrar Neil Gaiman. Espere Terry Pratchett menos confuso e um pouquinho mais sombrio. O livro tem seus momentos arrastados, e você pensa seriamente na hipótese de pular umas páginas – eu não consigo. Mas os diálogos são sensacionais, e vale a pena ler nem que seja só pra aprender que qualquer fita cassete deixada em um carro por 15 dias se transforma em uma fita do Queen – “Greatest Hits”.

Ou insights do tipo: “parou de ler o tipo de revista feminina que fala de romance e tricô e começou a ler o tipo de revista feminina que fala de orgasmos, mas além de fazer uma nota mental para ter um assim que a ocasião se apresentasse, dispensou-os como sendo apenas romance e tricô numa roupagem nova“.

Ou, finalmente: “Quando a maioria das pessoas diz “sabe, eu sou paranormal”, querem dizer “eu tenho uma imaginação hiperativa mas nada original/uso esmalte preto/falo com meu cachorro“”.

Ana

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