Art Spielgeman — Maus

Desafio 2015: Livro com personagens não humanos


Ana,

Eu já havia lido Maus (rato, em alemão) havia um tempo, em scan, e resolvi reler depois de ter comprado um volume físico.

A graphic novel surgiu quando o autor resolveu contar a história do seu pai, um judeu polonês sobrevivente do holocausto nazista. No livro, os vários grupos étnicos são retratados como animais: os judeus são mostrados como ratos; os alemães são gatos; os franceses (como a esposa do autor), sapos; os poloneses, porcos; os ingleses como peixes; os ciganos como traças; e os americanos, cachorros.

Como todo relato de guerra, Maus não é fácil de ler e algumas passagens são muito, muito tristes. Eu me emociono toda vez que lembro do amigo do pai do autor que, no campo de concentração, usava um sapato maior que os próprios pés e tinha perdido o cinto e a colher, e por isso tinha que ficar tentando se fazer imperceptível para os nazistas, ou apanhava 😦 (eu me ~emociono~ agora, mas quando tava relendo quase morro de tanto chorar).

O bacana é que o livro mostra tanto as memórias narradas pelo pai quanto a relação atual (na época) nada fácil  entre ele e o filho. Acho que tenho uma vaga lembrança de já termos falado sobre Maus, então imagino que você já tenha lido. Ele, com certeza, tá entre os meus livros favoritos de todos os tempos 🙂

–Anna

Amy Poehler – Yes Please

Desafio 2015: Livro ambientado em um lugar que você queira visitar


Anna,

Este livro iria originalmente para a categoria “engraçado” do desafio 2015. Veja bem: escrito pela hilária Amy Poehler, vencedor do GoodReads Choice Awards 2014 na categoria “Humor”… parece fácil, né?

Não foi. Tive que me virar para encontrar outra categoria para o livro e encaixá-lo no desafio, para manter o momentum, sabe? Acabei decidindo colocá-lo na “ambientado em um lugar que você queira visitar”, porque boa parte dele se passa em Nova York. Não queria botar na categoria “livro escrito por uma mulher”, para não desperdiçar uma ótima categoria! 😀

Vamos ao livro, que mistura memórias da carreira da atriz com conselhos sobre a vida, “o que eu aprendi”, etc. Não é exatamente ruim, mas é aquela coisa: nasceu em uma cidadezinha, mudou pra Nova York, ralou pra cacete, conseguiu um trabalho, conseguiu outro, sucesso! Casou, teve dois filhos que são o amor da vida dela, divorciou e é triste, mas agora tem outro namorado. Sabe? Nada de excepcional. Por outro lado, a visão “pé no chão” dela sobre tudo isso é bem bacana. Não tem o deslumbre de “nossa, eu sou uma celebridade, deixe-me iluminá-la com o meu saber e minha superioridade”.

People don’t want to hear about the fifteen years of waiting tables and doing small shows with your friends until one of them gets a little more famous and they convince people to hire you and then you get paid and you work hard and spend time getting better and making more connections and friends. Booooring. It’s much more interesting to believe that every person who makes it in show business just wrote a check to their mother when they were eighteen for a million dollars with an instruction to “cash in a year.”

Ela passa muito tempo falando sobre como é difícil escrever e sobre como ela é pequena (fisicamente) e por isso tem medo de multidões. No começo é engraçado, mas, como toda piada repetida inúmeras vezes, cansa. O capítulo sobre drogas e o capítulo “Treat Your Career Like a Bad Boyfriend” são bem divertidos, e alguns pontos da parte “olha o que eu aprendi durante a vida” são bacanas e até úteis.

Change is the only constant. Your ability to navigate and tolerate change and its painful uncomfortableness directly correlates to your happiness and general well-being. See what I just did there? I saved you thousands of dollars on self-help books. If you can surf your life rather than plant your feet, you will be happier.

No fundo, acho que se não tivesse lido How to Be a Woman (acabei de perceber que nunca fiz resenha dele pro blog, só você!) e Just a Geek, talvez tivesse gostado bastante deste livro. É aquela coisa: Caitlin Moran é muito melhor ao falar de empoderamento feminino de uma forma engraçada, e Wil Wheaton é muito mais interessante ao falar de memórias do show business.

Yes Please talvez seja um bom livro de praia, mas não mais do que isso.

– Ana