George R. R. Martin — A Morte da Luz

Ana,

mais um da série “posts atrasados do Desafio” :(, o primeiro romance de George R. R. Martin, A Morte da Luz parece ter causado grande ansiedade entre os fãs de GoT. Eu comecei a ler As Crônicas de Gelo e Fogo e… bem, não é muito o meu tipo de leitura, então fui pra esse sem grande expectativas.

Não é um livro “oh, tem que ler”, mas é um bom passatempo. Num futuro não nomeado, raças de diferentes civilizações e mundos convivem (não lá em muita harmonia).  Em Worlon, um planeta que está morrendo, Dirk t’Larien atende a um chamado de uma antiga namorada, Gwen Delvano. O planeta havia sido palco de um grande Festival que reuniu vários povos, mas agora está abandonado e se afastando de sua órbita e condenado ao eterno inverno (winter is coming, oi?). Os terráqueos não são o povo  mais evoluído; pelo contrário, o que sobrou deles vive em cavernas e sobrevive da pesca.

Colônia Esquecida, que algumas vezes é chamada de Cidade Esquecida pelos habitantes dos mundos exteriores, sempre foi chamada de Terra por seu próprio povo. Em Alto Kavalaan, essas pessoas são chamadas de Povo Perdido.

Quando chega no país, Dirk descobre que Gwen, além de não estar muito feliz em encontrá-lo, está casada com um alto-senhor kavalariano, Jaantony Vikary. O foco principal do livro é no choque de culturas e costumes, e ele é extrema e exaustivamente detalhado. Há um tipo de relação, a teyn-e-teyn que me lembrou muito o que Marylin Frye fala (e que eu já citei em outro post), da relação entre homens:

Os padrões se mantiveram em duas formas mutantes; os fortes laços emocionais que cresceram entre os parceiros de caça masculinos se tornaram a base da relação total e intensa de teyn-e-teyn, enquanto aqueles homens que desejavam um laço semiexclusivo com uma mulher criaram as betheyns

Gwen é betheyn de Jaan e cro-betheyn de seu teyn. A relação entre os homens é muito mais próxima do que nós consideraríamos uma relação afetiva, e a relação com mulheres é quase que exclusivamente carnal. Há vários personagens interessantes, mas o casal principal, Gwen e Dirk, são ex-tre-ma-men-te chatos. Por duas vezes eu me peguei torcendo pra que morressem hauehauehauhea

Uma coisa que me irrita, não sei ainda se no autor ou na tradução, é o uso de palavras como Jadeferro, Açorrubro, Pedrardente, Lobodeinverno etc. Sério, acho MEGA PNC. Há uma nave chamada Mao Tsé-Tung e uma cidade chamada Ávalon, o que eu também acho dispensável (não sei como essas coisas funcionam tão bem em alguns casos — como em Matrix haver uma nave chamada Nabucodonosor e um Morpheus —, mas no caso do livro foi só lame mesmo).

Algumas questões são bem abordadas, como o papel da mulher (o que ele faz também em Game of Thrones). Aliás, um dos povos, os Jadeferro, até apagou da história que sua fundadora tinha sido uma mulher. Valem alguns destaques:

O que eles têm contra as mulheres? Por que é tão crítico que a fundadora de Jadeferro seja uma mulher?

(…)

Jamis-Leão Taal, ao vagar pela face do mundo muitas gerações mais tarde, havia sido tão filho de sua cultura que era incapaz de conceber um mundo no qual as mulheres tivessem um status diferente daquele que ele via; e quando foi forçado a pensar de outra maneira pelo folclore que coletara, achou a idéia perversamente intolerável.

(…)

Na verdade, não falaram muito de você, a maior parte do tempo a conversa girou em torno de Dirk. Afinal, você é apenas uma mulher.

Como era de se esperar, a trama não é nada previsível, o que pra mim é o grande mérito do autor.

—Anna

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