Keiji Nakazawa – Gen, Pés Descalços

Ana,

comecei a ler Gen, Pés Descalços depois de ouvir esse podcast. Como o mangá era o único dos citados que eu nunca tinha lido (#modéstia #seacha) e como eu li pouquíssimos mangás na vida — tão poucos que nem lembro de outros de cabeça —, resolvi testar essa ~novidade~

E por falar em novidade: eu nunca tinha lido nada em tantos volumes. São 10, d-e-z, tomos, e até hoje eu me pego na dúvida se li tudo porque gostei ou por TOC de começar a coleção e não terminar (eu tenho pavor de coisas em volumes. Pavor. Só comprei o Watchmen depois que eles lançaram a edição em volume único — a anterior eram 12 revistas — e acho que a s únicas coisas que eu assisti até hoje em mais de um volume foram Star Wars LOTR. Tenho os quatro volumes de Do Inferno, do Alan Moore, e ainda não me dignei a ler). E foi uma novela pra encontrar tudo. A Conrad só lançou no Brasil até o vol. 6 e em toda a Internet eu só consegui achar os quatro primeiros digitalizados (como que uma publicação lançada na década de 1970, com filme, ópera e musical baseados nela, é tão difícil de encontrar na rede?). Resultado: os quatro primeiros volumes eu li on-line e comprei dois na Estante Virtual em português e o restante na Amazon, traduzidos para o inglês pelo Projeto Gen.

Gen Nakaoka vive com os pais e cinco irmãos em Hiroshima, e tinha seis anos quando a cidade é destruída pela bomba atômica, em agosto de 1945. Ele perde o pai e dois irmãos na tragédia, um dos outros irmãos é mandado para a Marinha japonesa e a mãe e uma irmã acabam por morrer mais tarde devido a doenças relacionadas à bomba. A história vai ficando melhor de volume pra volume, mas ainda assim não é uma história fácil.

Gen é altamente autobiográfico. Aliás, é classificado como autobiografia, apesar de não ser fiel. Nele são mostrado os horrores da guerra e a forma cruel com as decisões de governos e impérios afeta a vida da população. Gen é um personagem muito otimista (sério, até irrita tanto always look to the bright side of life), mas não deixa de sofrer com a destruição da própria vida. O medo da morte e a perda de pessoas queridas está sempre presente, e Gen acaba por ser uma história muito violenta. Crianças apanham dos pais (o próprio Gen era amarrado pelo pai e espancado, mas isso não era visto como violência e sim como correção) e de professores, as cenas horrorosas do incidente com a bomba e de pessoas deformadas e morrendo são sempre recorrentes, pessoas querendo tirar proveito uma das outras mesmo nas piores situações e o governo americano (e antes disso as forças armadas japonesas) sacaneando o povo são exemplos que te deixam com um nó na garganta frequentemente.

Depois de cinco meses e 2500 páginas (hooray!), a mensagem que Gen me deixou é que a intenção do autor era a de  fazer um manifesto a favor da paz e contra guerras e governos. E, como o pai de Gen não cansava de repetir, devemos ser como o trigo, que mesmo pisoteado, batido e queimado pelo sol e pelo gelo, sempre renasce forte e pronto pra dar frutos — o que cai como uma luva quando pensamos na história de Hiroshima e Nagasaki.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s