Reinaldo Moraes – Tanto Faz

Anna,

Esta vai ser uma resenha curtinha. O livro não merece muito mais do que isso. O título é bastante preciso, já que tanto faz ler ou não.

Final da década de 1970. O narrador, Ricardo, é enviado a Paris por um ano, com uma bolsa de pesquisa pra estudar economia. Mas o que ele quer é curtir.

Talvez em 1981 este tema tenha sido revolucionário, interessante e cool, contando de forma glamurizada a história de pessoas de 20 e muitos, 30 e poucos anos que não são “adultas” no sentido tradicional de casado-com-dois-filhos, usam drogas, transam sem muito compromisso, blá blá blá.  Em 2014…. bitch, please. Todo mundo é mais ou menos assim! Então você está no fundo lendo a história de pessoas irritantemente comuns e desinteressantes.

Algumas tiradas são bacanas, algumas “aventuras sexuais” (estou me sentindo a Veja!) são ótimas e me fizeram rir. Mas nada que me faça recomendar, nada que me faça querer ler outro livro do autor, etc. Estaria eu ficando velha? Ou é só fruto do meu mau humor causado você-sabe-por-quem? Embora às vezes eu me lembrasse de Naked Lunch, Tanto Faz é mil vezes melhor. O que realmente não quer dizer muito.

“Para mim, a angústia é um gato vira-lata com patas de pluma e corpo de chumbo. Sinto suas andanças dentro da caixa do peito, mas nunca sei onde ele está exatamente”

 – Ana

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5 respostas em “Reinaldo Moraes – Tanto Faz

  1. dia desses eu fui ver o Ariano Suassuna na Bienal aqui em BSB e ele falava que a boa obra de arte se baseia em uma história alegre ou em uma triste (e suas nuances: drama, comédia, suspense etc), que não dá pra fazer boa coisa de uma história boçal, e eu pensei exatamente sobre esse tipo de literatura (doravante chamada ‘literatura meh’).

  2. “Não dá pra fazer boa coisa de uma história boçal”
    “Então você está no fundo lendo a história de pessoas irritantemente comuns e desinteressantes.”

    E lá se foi o Dostoiévski com a água do balde. Memórias do Subsolo nunca mais.

    Claro, Tanto Faz é parte de outra tradição literária – o romance picaresco (que também é baseado no banal e na banalidade da vida). Coisa de xaropes sem graça do tipo do Lawrence Sterne, Cervantes, Thackeray, Rabelais… Se o trauma não foi grande, tentem ler num próximo desafio o Pornopopéia, do Reinaldão. É mais, digamos, acelerado e incomum.

    Abraços,

    Mário.

  3. Não acho que Dostoiévski tenha ido com a água do balde. O grande problema, ao meu ver, é o cara pegar uma premissa boçal e fazer uma história boçal — o que parece ter sido o caso de Tanto Faz. E que não é o caso do véio Dosto, nem de Rabelais ou Cervantes, até onde me cabe opinar.

  4. Olá, Mário!

    Obrigada pelo comentário!

    Discordo radicalmente. Uma coisa é tomar um personagem “comum” e construir uma boa história, com evolução psicológica, com uma trama interessante, etc. Como fizeram Sterne e Cervantes, que foram citados, e incontáveis outros. Outra coisa, completamente diferente, é pegar um personagem comum e escrever sobre o nada – sem ao menos ser hilário, como Seinfeld fazia em um outro veículo.

    Não acho que joguei ninguém na água do balde. Talvez tenha jogado Naked Lunch, mas isso já tinha feito em outra resenha mesmo… 😉

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