Simone de Beauvoir – A Very Easy Death

Anna,

Eu não tinha dúvidas de que leria algo da Simone de Beauvoir para este desafio de autores franceses – ainda mais depois do trauma de Sartre! Ao escolher o título para o desafio de dezembro (em dezembro mesmo, olha isso!), esbarrei em um problema comum. Não o encontrava – quer dizer, 8 doletas na Amazon para o Kindle, que eu já estava até disposta a pagar #murrinha. Na pesquisa, descobri o Open Libraryum site que EMPRESTA ebooks de graça e possui um catálogo substancial. É aquela chatice de DRM, tem que abrir naquela feiúra do Adobe Digital Editions, e o livro fica disponível pra você por duas semanas apenas – o que na verdade é uma coisa boa, porque nos impede de enrolar. Apesar disso, achei bacana e fiquei empolgada!

Voltando ao livro. Simone de Beauvoir recebe uma ligação em Roma: sua mãe, uma senhora de 77 anos que já não andava muito bem, teve um acidente em casa e quebrou o fêmur. Alguns exames depois, os médicos descobrem um câncer, que será provavelmente fatal nas próximas horas. Como Mme. Françoise sempre temeu esta doença, as filhas e os médicos optam por não contar a verdade.

 She had told my sister of a nightmare that she often had. ‘I am being chased: I run, I run, and I come up against a wall; I have to jump over this wall, and I do not know what there is behind it; it terrifies me.’ She also said to her, ‘Death itself does not frighten me; it is the jump I am afraid of.’

Após uma cirurgia, a mãe acha que está convalescendo – suas filhas sabem que ela está morrendo. Simone (olha a íntima) entra em uma série de reminiscências a respeito da mãe. E, com o passar dos dias, indas e vindas de hospital, começa a estabelecer uma nova relação com ela. Um resgate do que parecia completamente perdido.

 For me, my mother had always been there, and I had never seriously thought that some day, that soon I should see her go. Her death, like her birth, had its place in some legendary time.

I had grown very fond of this dying woman. As we talked in the half-darkness I assuaged an old unhappiness; I was renewing the dialogue that had been broken off during my adolescence and that our differences and our likeness had never allowed us to take up again. And the early tenderness that I had thought dead for ever came to life again, since it had become possible for it to slip into simple words and actions.

Como o título já entrega, Mme. Françoise morre. E com a morte vem a reflexão filosófica que encerra o livro – e ela é tão bonita, tão direta, precisa e ah, tão bem escrita.

There is no such thing as a natural death: nothing that happens to a man is ever natural, since his presence calls the world into question. All men must die: but for every man his death is an accident and, even if he knows it and consents to it, an unjustifiable violation.

O livro é maravilhoso. Li em duas sentadas, mas porque “economizei” (e alternei com o Naked Lunch, que já estava me enchendo o saco). Ao contrário daquele livro, que também é considerado “obra-prima” do respectivo autor, foi fácil enxergar em “A very easy death” todo o brilhantismo, sutileza e precisão de Simone de Beauvoir.. Recomendo a leitura para todas as pessoas que conheço. Até para as que não gosto, pra você ver.  😀

– Ana

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Uma resposta em “Simone de Beauvoir – A Very Easy Death

  1. Adorei a ideia do Open Library :-O
    Fiquei curiosa com esse livro! Parece ser lindo. .. se não me engano, tem um livro sobre a morte do Sartre, não tem?

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