William S. Burroughs – Naked Lunch

Anna,

Para o desafio de Novembro (cof! cof! cof!), resolvi ler “Naked Lunch”, que foi citado no fofíssimo “As vantagens de ser invisível”. Filme que aliás, só fui convencida a ver pela minha irmã, que falou que eu não poderia deixar de ver o “novo filme da Hermione”… é, a gente é dessas.

O filme é ótimo, cita vários livros, e acho que acabei escolhendo o pior. O título foi sugerido por Jack Kerouak (cujo “On the Road” também foi citado no filme): “a frozen moment when everyone sees what is on the end of every fork” . O autor afirma não lembrar de ter escrito as anotações que depois viraram o livro – embora mais tarde ele qualifique esta afirmação, dizendo que o que realmente acontece é que embora um viciado possa ter uma memória factual impecável, ele não terá quase nenhuma memória afetiva em relação aos mesmos eventos.

Naked Lunch é uma série de “capítulos”/”vinhetas” que podem ou não ser lidos na sequência – o que obviamente quer dizer que o livro não tem enredo, embora as vinhetas não sejam exatamente completas como um conto. E é difícil! Algumas vinhetas são fáceis e a leitura flui rapidamente. Outras você lê, pensa “que porra foi essa?” (sim, com palavrão mesmo, você não vai ser meigo e pensar “opa, não entendi”), volta, lê de novo, entende. Ou não e simplesmente passa para o próximo. Porque na verdade, não era pra se entender mesmo.

 The President is a junky but can’t take it direct because of his position. So he gets fixed through me… From time to time we make contact, and I recharge him. These contacts look, to the casual observer, like homosexual practices, but the actual excitement is not primarily sexual, and the climax is the separation when the recharge is completed. The erect penises are brought into contact — at least we used that method in the beginning, but contact points wear out like veins. Now I have to slip my penis under his left eyelid. Of course I can always fix him with an Osmosis Recharge, which corresponds to a skin shot, but that is admitting defeat. An O.R. will put the President in a bad mood for weeks, and might well precipitate an atomic shambles.

A wikipedia me disse que este livro entrou na lista da revista Time dos  “100 Best English-language Novels from 1923 to 2005”. Ok, o livro foi publicado em 1959, e para a época, foi extremamente revolucionário. Mas daí a ser considerado o trabalho seminal do autor e uma das publicações-chave da história da literatura americana? Não sou uma pessoa conservadora, mas não gostei do livro. Não pelos temas fortes ou pela abordagem crua que levou a um processo em uma corte em Massachussets por “obscenidade”. Mas porque é como conversar com alguém muito, muito, muito chato sobre uma história que a pessoa acha que é revolucionária e “edgy”, mas que você já sabe como vai terminar e não está nem um pouco interessada.

Eu sempre fico meio frustrada quando leio um livro “importante” e não acho lá essas coisas. Mas foi exatamente o que aconteceu aqui – achei chato (e de uma certa forma presunçoso) e terminei de ler por obrigação. Não é um livro que você recomende pra sua avó. Nem para o seu pai. E provavelmente nem pra amiga com quem divide o blog.

– Ana

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