Jean–Paul Sartre – Entre Quatro Paredes

Ana,

quando eu escolhi Sartre para o desafio do Nobel, eu estava interessada em ler algo dele que não fosse puramente filosofia/ política. Acabei escolhendo Entre Quatro Paredes por ter sido o primeiro que consegui baixar com uma qualidade bacana pra converter pro Kindle 😛

Sartre levou o Nobel de 1964. Aliás, mas legal ainda: Sartre recusou o Nobel de Literatura de 1964  com o argumento de que aceitar um prêmio como esse era transformar o escritor em instituição. Na página dele do site, lemos:

The Nobel Prize in Literature 1964 was awarded to Jean-Paul Sartre “for his work which, rich in ideas and filled with the spirit of freedom and the quest for truth, has exerted a far-reaching influence on our age”.

Jean-Paul Sartre declined the Nobel Prize.

“Não, obg, não quero prêmio”

Entre Quatro Paredes é chato. Três personagens — um publicitário galinha, uma mocinha mimada da alta sociedade e uma funcionária dos Correios lésbica — são colocados numa mesma sala, de decoração demodê , sem janelas, com uma porta que não abre e uma luz que não se apaga nunca. Eles não se conhecem e não têm nada em comum. Daí eles se lembram que morreram e descobrem que estão no inferno. E têm que começar a lidar com várias coisas: a tensão da convivência entre si, o ciúmes que Inês (a funcionária dos Correios) sente de Garcín, pois está interessada em Estelle (a mocinha); os jogos de Estelle, que quer se pegar com Garcín ali na frente de Inês, só pra provocar; a covardia do próprio Garcín.

[Estelle]: Como é vazio um espelho em que não estou! Quando eu falava, sempre dava um jeito para que houvesse um espelho em que eu pudesse me ver. Eu falava e me via falar. Eu me via como os outros me viam. Por isso, ficava acordada. (Com desespero): Meu rouge! Tenho certeza de que pintei mal. Mas não posso ficar sem espelho por toda a eternidade!

==========

[Inês] (Quase com doçura): Por que a fez sofrer?

[Garcín] – Porque era fácil. Uma palavra bastava para fazê-la mudar de cor. Era uma sensitiva. Ah, nem uma censura! Sou muito implicante. Esperava, esperava sempre, mas nada. Nem um choro, nem uma censura.

==========

[Inês]: Eu, sim, sou má. Quer dizer, preciso do sofrimento dos outros para existir. Uma tocha. Uma tocha nos corações. Quando estou sozinha, me apago. Durante seis meses, eu ardi no coração dela: queimei tudo. Uma noite ela se levantou, foi abrir a torneira de gás, sem que eu percebesse. Depois voltou e se deitou ao meu lado.

Falando assim, o livro não parece de todo ruim. E não é. Só não é um texto bom, que você recomende. Se eu tivesse ido ver a peça, acharia muito, muito chato (mas temos que incluir o fato de eu não gostar de teatro).

O final é clássico e repetido mil vezes por aí.

[Garcín]: Então, é isso que é o inferno! Nunca imaginei. . Não se lembram? O enxofre, a fogueira, a grelha… Que brincadeira! Nada de grelha. O inferno.. O inferno são os outros!

– Anna

Anúncios

6 respostas em “Jean–Paul Sartre – Entre Quatro Paredes

  1. Pingback: Desafio Literário – Abril | Ana, leu isso?

  2. Pingback: Jean-Paul Sartre – Entre Quatro Paredes [2] | Ana, leu isso?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s