“Como Ser Mulher”, ou Feminista tem, sim, senso de humor

Ana,

Vi uma resenha desse livro no mulher alternativa e gostei tanto da ideia do “divertido manifesto feminino” que corri pra comprar (sou dessas).

Caitlin Moran – de quem eu nunca tinha ouvido falar e de quem agora sou fã – é uma jornalista britânica que escreve pro The Times (fiquei morrendo de vontade de ler as colunas dela, mas no way assinar o jornal, né :\). Ela tem um humor muito fantástico, que não cai no clichê, e narra suas experiências de vida sempre pelo viés do feminismo.

Ela mostra que as vantagens dos homens sobre as mulheres passam pelos aspectos mais sutis, onde muitas vezes as próprias feministas – ou as mulheres no geral – não atentam a elas: como o direito de ser engraçada, escrachada, de fazer piada, de andar bêbada. Ela conta que começou desde cedo a se fazer a pergunta: ora, se os meninos podem, POR QUE EU NÃO? A bio do Twitter da autora, inclusive, é “A woman, yes, but still funny“. Não sei você, mas eu achei isso revelador. Porque sempre a mulher engraçada é menos “atraente”, porque a mocinha dos filmes/ livros nunca é engraçada, porque fazer graça com as coisas é sempre atrelada à ideia de mulher descolada e independente, mas nunca da sexualmente satisfeita. Ora, por que temos que lidar com essas diferenças? Por que temos que engolir a dicotomia mulher feliz x mulher independente? POR QUE AS MULHERES TÊM QUE SER UMA COISA ou OUTRA? A inteligente não pode ser gostosa, a gostosa nunca é inteligente, a bonita é sempre frívola, a inteligente não pode gostar de maquiagem. E o mais comum: a competente profissionalmente nunca é sexualmente feliz, nunca é uma boa mãe, uma boa esposa etc.

Aliás, ela mexe justamente com os estereótipos. Mulher “de verdade” é a que quer ser mãe, a que “nasceu pra isso”? Por que o cara que não quer ter filhos nunca é visto como “incompleto” e a mulher que optou por isso sempre tem que encarar olhares de “alguma coisa não anda bem com ela”?

Há partes no livro de rolar de rir. Mesmo. Eu gargalhava tanto que assustava a pobre da Frida 😀

Ela conta da sua relação com a irmã, com as calcinhas herdadas da mãe (Jesus, como eu ri), com o trabalho, casamento, bebida, com as filhas, com o Rock, com o feminismo.

Já pro final, ela fala coisas maravilhosas sobre as intervenções cirúrgicas que eu, sinceramente, acho que deveriam ser colocadas em outdoors pelo mundo todo. Porque os caras tão por aí, grisalhos, com rugas, felizes ou não – e essa felicidade nunca está atrelada às rugas ou aos cabelos brancos. E nos é colocada uma pressão de parecer eternamente com 27 anos de idade (o que nunca dá certo, né. É só lembrar das tias da TV hoje em dia). E juventude não é e nunca deveria ter sido mensurada como qualidade (assim como beleza, né. Beleza não é qualidade, a pessoa deu sorte. Não que eu esteja louvando a feiura, mas tratar uma pessoa baseado em quanto ela está ou não dentro desses padrões modernos surreais – magra, alta, loira, cabelo comprido, jovem, dentes brancos, quadris estreitos e peitos grandes – é muita babaquice).

Eu acho, sinceramente, que toda mulher deveria ler esse livro. Eu mesmo já li tudo da Caitlin que consegui encontrar na Internet :D. Meo, ela ensinou as filhas pequenas a gritar “dane-se o patriarcado” quando caíssem, que fantástico! Achei muito a cara da Lola 😀

Pra terminar, tem duas coisas que ela fala das quais eu gostei muito:

“Simplesmente ser sinceras a respeito de quem realmente somos é metade da batalha. Se as coisas que você lê em jornais e revistas fazem com que você fique pouco à vontade e se sinta péssima, não compre! Se você se ofende com o fato de que a diversão corporativa se dá em bares com mulheres de peito de fora, que vergonha para os seus colegas! Se você se sente oprimida pela ideia de um casamento caro, ignore sua sogra e fuja para o cartório! E se você acha que uma bolsa de seiscentas libras é obscena, em vez de dizer, corajosa: “Vou ter que gastar todo o limite do cartão de crédito”, diga baixinho: “Na verdade, não tenho dinheiro pra isso”.

e

 “Ah, humanidade. Como permitimos que nossa estupidez fosse tão óbvia?”

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5 respostas em ““Como Ser Mulher”, ou Feminista tem, sim, senso de humor

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