Fahrenheit 451

Ana,

Eu também percebi que minhas leituras de sci-fi se reduziam a Guia do Mochileiro das Galáxias (o que eu não reclamo, porque É ÉPICO). Mas, por outro lado, li algumas coisas do que vou chamar de “Ficção Científica Apocalíptica”, que são basicamente Admirável Mundo Novo, Watchmen, V for Vendetta, 1984 e todos esses que se passam num futuro sob alguma forma de absolutismo político e caos.

O que é o caso do Fahrenheit 451. Bem, mais ou menos. Nele, os livros são proibidos (porque é mais fácil controlar as pessoas quando elas se sentem felizes e confortáveis, e os livros, muitas vezes, vêm para nos tirar dessa situação) e os bombeiros são profissionais designados para queimá-los (as casas e tudo mais são à prova de fogo, então, não precisamos de um bombeiro para salvar as coisas de incêndios). As pessoas são controladas porque elas simplesmente não se importam. As mídias de massa (TV e rádio) tomaram conta completamente da sociedade e a diversão de todos é acompanhar uma espécie de novela em 3D — e que passa ininterruptamente — em que os telespectadores interagem. As televisões chegam a cobrir paredes inteiras, às vezes até as quatro de um cômodo, e as pessoas vivem fascinadas por ela (a relação das pessoas, aqui, me lembra bem como é a relação das pessoas hoje em dia com os reality shows), tanto que os personagens são chamados de “família”. Os rádios são conchas colocadas dentro dos ouvidos, que passam música o tempo inteiro. Os carros chegam a 500km por hora, e mortes por atropelamentos – numa sociedade onde crianças de 12 podem dirigir e até matam no trânsito – e por armas de fogo são estupidamente comuns. Assim como outdoors de 60m de comprimento. A publicidade, o barulho, as luzes, a velocidade, a eletricidade estão por todos os lados. As pessoas levam suas vidas quase como que num transe, o tempo inteiro.

E elas sabem que os livros são proibidos. E elas sabem o por quê. E elas simplesmente não se importam (repito isso porque, pra mim, foi um choque de realidade quando ele desvenda isso no livro. As coisas não precisam ser escondidas, porque a sociedade simplesmente não está nem aí).

(O enredo é facinho e conhecido, então não contarei por aqui.)

Eu fiquei abismada, pasma, passada ao perceber que estamos caminhando, exatamente, pra uma sociedade assim, onde o lado humano e racional é deixado como que propositalmente de lado, onde os remédios em excesso, a frieza nas relações e uma “maquinificação” da vida levam a um modelo social e de vida completamente assustador.

Me apaixonei pelo livro. Amei alguns personagens (Montag — o protagonista —, Clarisse, Faber), odiei outros profundamente (Beatty, Mildred), me apavorei com a atualidade do que é descrito ali. É um livro que estava há tempos mais ou menos na minha To Read List imaginária e foi o primeiro livro inteiro que eu li depois que comprei o Kindle 🙂 Encontrei uma edição gracinha da editora Globo com uma composição gráfica dilicinha de ler (é, eu sou nojenta).

Como você falou no outro post, meu Kindle não aceitou por nada a conversão do pdf em mobi. Não sei o que aconteceu e, como o arquivo que tem na internê do Fahrenheit é basicamente o mesmo, bati muito a cabeça atrás de links até que fui jênia ¬¬ e comprei o livro na Cultura.

Li que existe uma adaptação pro cinema do diretor francês François Truffaut (o próprio Ray Bradbury fala dela no posfácio), mas li também que ela é chatérrima, então nem me animei a assistir.

Antes dele eu li A Desobediência Civil, do Thoureau, e pretendo loguinho fazer um post.

Fahrenheit recomendadíssimo, sim ou sim? \o/

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4 respostas em “Fahrenheit 451

  1. Percebi que não tinha considerado vários livros como “ficção científica” por alguma razão idiota (sr legenda: penso que ficção científica é ET)! Li só … todos os que você mencionou! #trofeuvelocidadederaciocíniopramim

    A ideia de “nobody cares” para livros proibidos me parece assustadora… e perigosamente real.

    Estou pensando seriamente em deixar sr. Ondjaki pro fim do mês e começar Fahrenheit 451 agora. 🙂

  2. Eu mega acho que pode deixar o Ondjaki mais pro fim do mês, até porque a leitura é super rápida (e do Fahrenheit também)!

  3. Pingback: Desafio Literário – Agosto « Ana, leu isso?

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